Narciso, Eu e Você

Narciso, conhecido pela sua beleza (Beleza, um dos 4 pilares da vida pela ótica de Platão) apaixona-se pela sua própria imagem. E quem não?

Narcissus-Caravaggio (1594–96)

Narcisos somos nós, apaixonados pela nossa própria imagem, por aquilo que é superfície, pela imagem das coisas, pela nossa própria visão sobre as coisas, tudo aquilo que em si não possui substância. Desconsiderando todo um mundo mais vasto que nossa mente poderia imaginar e contemplando um outro mais “vazio” que o vão entre um objeto e outro.

Estamos presos na nossa propria imagem. Somos imagem e ação à caminho da essência.

Uma imagem é apenas uma representação, e não a realidade. A realidade não é palpável, para nenhum de nós, o que vemos e experienciamos é apenas uma versão incompleta, uma possibilidade de um evento que foi reconstruido pelas nossas redes neurais, uma fração distorcida daquilo que realmente é.

Tanto para observar quanto para descrever qualquer informação, é preciso o uso da memória que ativa novamente nossas redes neurais que captam estes dados incompletos e que após longos dias ou anos acessamos com ainda menos precisão.

1- Ao se observar uma partícula a mesma muda seu comportamento. (Thomas Young)

2- Somos cegos para aquilo que o cerebro ignora. (The Science of Storytelling, Will Storr)

“La trahison des images” (A traição das imagens)

Na imagem acima Magritte nos apresenta com uma imagem de um cachimbo e nela mesma confirma que este não é um cachimbo. O cachimbo seria o objeto que serviu a ele de modelo (ou talvez não), sua pintura apenas nos mostra a imagem do mesmo. Se nos inclinarmos mais e colocarmos em foco o mundo das ideias de Platão veremos que nem mesmo o objeto cachimbo é um cachimbo, ele também é somente uma imagem daquilo que existe em perfeição no mundo das ideias, o cachimbo ideal.

O mundo onde tudo existe antes da matéria, o inconsciente coletivo, onde estamos inseridos. Aquilo que é perfeito e real existe além da matéria, quando algo se concretiza em nosso mundo é sempre de forma imperfeita e inacabada.

Enquanto o Narciso observa (enquanto nosso Eu interior observa), a imagem/reflexo/sombra se movimenta no mundo das águas inferiores (emoções). Mas se eu me entrego ao meu reflexo eu simplesmente caio na água. Não há imagem que nos segure na queda, é preciso a força da essência, do Eu interior para que não se afogue.

“Não idealizes tanto: A Lua no Lago é somente água.”

Os mitos carregam hermeticamente dentro de si padrões e arquétipos que são vivos e se repetem de geração à geração.

A cada leitura se revelam mais chaves de interpretação, estamos vivos, vibrando, em todos os mitos.

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Artist. Sometimes in Portuguese sometimes in English @adrianavernalha.nani

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Adriana Vernalha

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