Ela vem.

Tem dias que ela aparece e tem vezes que se passam dias para que ela apareça novamente.

A gata, a gata da casa ao lado está sempre desbravando. Ela pula de muro em muro, sobe nas árvores observando os pássaros os mesmos que as vezes ela tenta caçar, brinca com as plantas do jardim, toma sol quando ele aparece e se encaixa nas sombras proporcionadas.

Era por volta da meia noite que fui na cozinha e percebi o vulto dela pela janela, pulou do muro para o batente e sabendo que eu abriria a porta, ela ja veio direto e entrou trazendo a noite boa.

Ela vem tranquila, balançando o rabo de um lado pro outro como uma leve dança, ronrona e se desliza sobre minhas mãos, se afasta, dá a volta pela cozinha inteira, observando tudo ao seu redor e com todos os seus sentidos.

Ela se aproxima novamente, para para mais alguns segundos de carinho e observa a outra porta aberta, a da sala, e olha pra mim e olha pra sala novamente e vai, vai cheirando e olhando tudo ao seu redor, o que já lhe é familiar e o que lhe é novo, entendendo o espaço, as pessoas que vivem na casa e observando pela janela o outro lado da rua.

Por mais alguns minutos ela vai e volta, ela olha e entende, ela se permite se assustar com os pequenos barulhos que a casa velha faz, ela deita suavemente no chão e com pequenos movimentos laterais e circulares demonstra carinho e afeto, amor e segurança.

Agora ela se levanta e segue em direção ao jardim iluminado pela Lua cheia, caminho até lá fora com ela e agradeço a visita, boa noite.

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A Human Exploring Her Creative Nature. Sometimes in Portuguese Sometimes in English @adrianavernalha

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Adriana Vernalha

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